Risco, sem o "s" de segurança, não significa rico: é suicídio

2 de dezembro de 2009Sem comentários

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“A diferença entre ‘RISCO’ e ‘RICO’ é apenas uma letra ‘S’… de SEGURANÇA. Aprenda a viver
sem segurança, ela não é essencial.” A frase é de Allan Arantes, moderador e dono da famosa comunidade “O investidor agressivo”, do Orkut, e foi citada por um leitor do blog, ao comentar o post sobre os axiomas de Zurique. Ele escreveu o seguinte:

“A diferença de RISCO e RICO é o “S” de SEGURANÇA, quem quer segurança nunca vai ficar RICO!!!”

Eu já havia lido a frase “A diferença de Risco e Rico é o ‘S’ de segurança” em alguns livros, e acredito que é um conselho bastante perigoso para os investidores. Ao dizer que o segredo para acumular um patrimônio é abandonar a segurança, o “conselho” aponta o caminho do cassino para o investidor: viva sem segurança e você vai ficar rico!

A meu ver, essa frase, tida por alguns como genial, nada mais é do que um joguinho de palavras: tire o “S” de RISCO e você vai ficar com a palavra RICO. Isso não é filosofia de investimentos: o “S” poderia ser de sabedoria. Tire sabedoria de Risco e você vai ficar com Rico. O “S” também poderia ser de serenidade ou de simplicidade. Por que escolher segurança como o conceito a ser abandonado pelo corte do “S”, se há tantos outros que se iniciam por essa consoante? Duvido que os especuladores de plantão deixariam de usar o “S” de STOP em seus investimentos em ações. Por outro lado, eu não utilizo Stop em minhas operações e não tenho do que reclamar de minha estratégia de investimentos.

O que a frase de efeito não mostra é que o maior investidor de todos os tempos, Warren Buffett, adota uma abordagem completamente oposta: para ele, uma parte substantiva do que significa investir é ter segurança. Vejamos a seguinte frase do sábio de Omaha:

“Regra n. 1: Nunca perca dinheiro. Regra n. 2: nunca esqueça a regra n. 1.”

Ao contrário do leitor, a recomendação de Warren Buffett é de que o investidor proteja seu patrimônio, ou seja, nunca esqueça de adotar medidas de segurança em sua estratégia de investimentos. 

Mas tudo depende do que se entende por segurança. Normalmente, os analistas de investimento confundem segurança com ausência de volatilidade. Mas isso é uma bobagem: segurança, para Buffett, significa comprar um ativo abaixo do que ele vale, com uma margem de segurança. Se você tem projeção de que uma empresa vai ter lucros estrondosos no futuro (porque ela tem um grande e consistente histórico de crescimento), e prevê a partir de suas estimativas de que o preço de suas ações  em 2020 será de R$ 100,00, vale a pena comprá-la hoje se ela está cotada a R$ 10,00, mesmo que pareça cara para os padrões de hoje.

Mas isso não quer dizer que o caminho até os R$ 100,00 será retilíneo e uniforme: pode haver momentos em que a cotação caia e um prejuízo aparente momentâneo aconteça. Mas, se as projeções se mostrarem corretas, o risco será mínimo, porque a compra foi feita com segurança. E a segurança derivou dos estudos sobre a ação comprada. 

O risco vem da ignorância de não saber o que se está fazendo. E a ignorância (com “I”, não “S”) é o pior defeito que pode levar um investidor a perder todo o seu dinheiro, abandonando sua segurança.

Prefiro seguir o conselho de Buffett de investir com segurança, a seguir uma frase de efeito que me manda abandonar qualquer noção de segurança. E você?

 

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Sobre o autor ()

Fábio Portela L. Almeida é mestre em direito constitucional e em filosofia pela UnB. Atualmente, é doutorando em direito pela mesma universidade. É autodidata no mundo dos investimentos e tem por objetivo compartilhar seus conhecimentos com qualquer pessoa que deseje aprender um pouco sobre como economizar e investir adequadamente seus recursos.

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