A aquisição das Casas Bahia pelo Pão de Açúcar
Um dos assuntos mais comentados dos últimos dias foi a aquisição das Casas Bahia pelo Pão de Açúcar. As ações do Pão de Açúcar e da Globex (recentemente adquirida pela empresa) dispararam: 30% de alta em 2 dias. À primeira vista, tudo vai bem com o Pão de Açúcar. Em menos de um ano, adquiriu dois gigantes brasileiros, cujas marcas estão nas memórias de praticamente todos os brasileiros. Além disso, são empresas que têm como clientes as classes A, B e C.
Tudo parece maravilhoso para os acionistas do Pão de Açúcar e da Globex, não é? Não penso assim. Quando olhamos os números dos últimos 8 anos dessas empresas, fica evidente que a atuação das empresas não tem agregado valor sobre o patrimônio do acionista.
As ações do Pão de Açúcar (PCAR4), por exemplo, têm um Retorno Sobre o Patrimônio líquido (ROE) de 5,77% (média dos últimos 8 anos). E as da Globex (GLOB3), de 7,24%. Esse índice mede a taxa de retorno sobre o investimento para os proprietários ou acionistas – ou seja, quanto maior, melhor. O ideal é que uma empresa tenha um ROE médio de pelo menos 15% ao ano para que seja considerada eficiente na produção de valor para o acionista. A Petrobrás, por exemplo, tem um ROE de 27% nos últimos 8 anos; a Saraiva, de 20,02%.
Além disso, o Pão de Açúcar só tem aumentado seus ativos, sem aumentar a lucratividade da companhia. De que adianta ter uma empresa cada vez maior, se os lucros ficam praticamente na mesma, ou até diminuem? Enquanto os ativos aumentaram de R$ 7.281.000.000,00 (2001) para R$ 13.544.000.000,00 (2008) – aumento de 81%, os lucros da empresa aumentaram de R$ 250.000.000,00 para R$ 260.430.000,00 no mesmo período (aumento de 4%). Isso é muito pouco para um período de 8 anos.
E essa estagnação nos lucros deve piorar, com a aquisição da Globex. Mesmo com a melhoria nas condições de crédito e no consumo dos últimos anos, a empresa conseguiu ter um 2008 pior que 2001. Em 2008, o lucro líquido da empresa foi de 16,56 milhões de reais, ao passo que em 2001 lucrou 39 milhões de reais. Mesmo considerando os bons anos de 2006 e 2007, quando a empresa teve um lucro de 89 milhões de reais, o aumento de 128% em 7 anos equivale apenas a uma taxa de crescimento anual da ordem de 10% ao ano. Muito baixo, quando comparamos com outras empresas. A Randon (RAPT4) teve um crescimento em seu lucro líquido da ordem de 73%. AO ANO, com um crescimento total de 5.600%…
O mesmo quadro se vê nas dívidas das companhias, que cada vez mais aumentam, inviabilizando o crescimento futuro da empresa. Enquanto as dívidas só aumentam, o lucro fica patinando no mesmo lugar.
É difícil acreditar que uma empresa assim consiga dar grandes lucros para o seu acionista. A aquisição das Casas Bahia só se reverterá em benefícios para o investidor se vier acompanhada de uma reformulação na administração de todo o grupo, com mais eficiência na produção de valor e na redução de custos. Enquanto isso não acontecer, o programa de aquisições pode continuar indefinidamente que eu continuarei achando a aquisição dessas açõesum investimento muito arriscado.
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