Porque uma empresa deve ter ações na bolsa
Há quem invista em ações pensando que está apenas comprando papéis da empresa, que flutuam ao sabor do mercado; mas, na verdade, o que ocorre é que, ao comprar ações, uma empresa está comprando uma fatia bem pequena de participação na companhia. O acionista é, antes de tudo, dono de uma pequeníssima parte da empresa.
Mas por que uma empresa deve ter suas ações na bolsa? Afinal, não é melhor para os donos da companhia terem todos os lucros para si mesmos? Por que eles o dividiriam com milhares de outros investidores? Em outras palavras, o que a empresa ganha com isso?
O principal fator é que uma empresa pode ganhar muito com os famosos IPOs (Initial Public Offering), ou Oferta Pública Inicial: é o primeiro momento em que uma empresa emite ações. Nesse instante, como há investidores que adoram comprar ações em IPOs, a companhia pode lucrar muito. Às vezes, o retorno com a venda das ações é bastante superior ao valor real da empresa, o que gera um capital excedente muito importante para que ela possa investir em projetos mais ambiciosos.
E por que há quem compre ações em IPOs? Normalmente, as informações prestadas pela empresa ao mercado são insuficientes para avaliar o histórico da empresa ao longo de um período maior de tempo (10, 15, 20 anos), mas mesmo assim muitos especuladores se interessam bastante pela aquisição de ações em IPOs, porque, muitas vezes, é possível ter lucros muito fortes em dois ou três dias. Apesar disso, as estatísticas mostram que, na média, comprar ações de IPOs não é mais ou menos lucrativo do que comprar ações em outro dia qualquer.
Empresas podem emitir ações em outros momentos, para se capitalizar. Com as novas ações, a empresa ganha novo capital, sem praticamente qualquer custo. Dessa perspectiva, é melhor emitir ações do que obter um empréstimo, pois a empresa não precisa pagar juros ao acionista, como precisaria no caso de um empréstimo ou financiamento. É dinheiro novo que entra, sem custo financeiro.
Mas empresas que emitem ações demais em momentos diferentes do IPO têm um custo adicional: a confiança do acionista. Ao emitir novas ações, a empresa dilui seu capital em mais ações. Se uma empresa tem 1000 ações, alguém que tenha 100 ações tem 10% da companhia. Se ela emite mais 1000 ações, esse acionista terá diminuída sua participação para apenas 5%, tendo direito a uma parcela dos lucros muito menor.
Por outro lado, empresas muito lucrativas podem se dar o luxo de fazer o inverso: comprar ações disponíveis no mercado. Se alguém tem 100 ações de uma empresa que tem 1000 ações, com 10% das ações da companhia, e a empresa compra 500 ações, a participação do acionista sobe para 20% das ações da companhia. Ou seja, ao comprar suas próprias ações, a empresa gera valor adicional para o acionista.
Portanto, cuidado com empresas que emitem ações muitas vezes em um período curto de tempo: ela pode estar passando por dificuldades financeiras e precisa desse capital para se financiar. Prefira empresas que tenham programas de compra constantes de suas próprias ações.
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Tenho visitado frequentemente este Blog e hoje estou fazendo meu primeiro comentário.O principal fator é deixar de ser uma empresa de pessoas (sociedade de pessoas) para passar a ser uma empresa de capital (empresa com acionistas). Deixar de existir para atender e servir unicamente a vontade e os interesses dos donos para passar a focar o capital. É como atingir uma maior idade. Ter vida própria, ter direitos e obrigações para com o capital, remunerando sob a forma de dividendos e prestando satisfação (conta) sob a forma de informações e retorno aos acionistas. Nas IPO's o preço fixado não se traduz em ganhos para a empresa, mas sim para os donos, pois é um preço que os fundadores – sócios – estão cobrando para abrir mão de serem donos e transformarem uma firma em uma organização.Cabe ao investidor – acionista – avaliar se esse preço é justo ou não. Lenz
Falando em subscrição, eu acharia ótimo um post sobre as diferentes formas de capitalização (emissão de ações, de debêntures, empréstimos, etc.) e como o investidor deve analisá-las. Sempre me pareceu que a subscrição seria a forma mais barata de a empresa conseguir um financiamento. Por outro lado, não entendo por que empresas aparentemente sólidas pagam taxas acima do CDI com debêntures.