A previdência como (péssimo) investimento

13 de agosto de 200912 comentários

A previdência social é um bom investimento? Imagine que você investe, todo mês, uns R$ 334,00, por 35 anos. No fim desse período, você teria economizado um total de R$ 140.280,00, sem contar qualquer valorização do investimento. Caso você tivesse conseguido uma rentabilidade mediana, de 10% ao ano, você teria conseguido acumular R$ 1.255.059,70. Parece bom, não é? É um valor mais do que suficiente para garantir uma rentabilidade de R$ 125.500,00 ao ano (ou R$ 10.458,00 por mês)! Claro, aqui não estamos descontando a inflação, mas se supusermos que o investimento será incrementado progressivamente para acompanhar as perdas da inflação, o cálculo do valor real será exatamente esse. Ou seja, em 35 anos, seria perfeitamente possível receber um valor que equivaleria, hoje, a um salário de quase R$ 11.000,00 mensalmente. E, se você tiver um filho, ele poderia ter essa renda perpétua enquanto viver, como herança. Ótimo, não é?

1. A previdência apresenta rentabilidade péssima no longo prazo

Mas, imagine um investimento diferente. Você investe, todo mês, os mesmos R$ 334,00, por 35 anos. No fim desse período, você obtém R$ 3.218,00 mensalmente. Bem pior do que a alternativa anterior, não é? Mas é o que a maioria dos brasileiros faz ao esperar que a Previdência Social lhes garanta o sossego financeiro e o padrão de vida que têm hoje. Utilizei, no exemplo acima, o teto de contribuição previdenciária (R$ 334,00) e o teto de benefício (R$ 3.218,00). Ah, e não se esqueça de que o montante que você contribuiu para o sistema previdenciário não pode ser herdado por seus filhos!

É importante perceber, ainda, que a rentabilidade de R$ 3.218,00 mensais pode ser obtida com um montante de R$ 386.160,00 – ou seja, ao longo de 35 anos, os R$ 140.280,00 investidos com os R$ 334,00 mensais que se pagou de contribuição previdenciária, teriam um crescimento total de apenas 275% – ou aproximadamente 3,8% ao ano. Péssimo investimento, não é? Apenas para efeito de comparação, na primeira hipótese, na qual se acumula R$ 1.255.059,70, a rentabilidade total é de 894%!

Note-se que, como utilizei nas contas o montante total acumulado para o cálculo da rentabilidade – e não a valorização a partir das parcelas investidas, o percentual alcançado é inferior aos 10% que o investimento teve de rentabilidade. De qualquer modo, a diferença de rentabilidade é enorme.

2. Mas lembre-se sempre de que a Previdência Social tem outras finalidades!

previdênciaAqui, estou tratando a Previdência Social a partir da perspectiva do investidor, sem levar em consideração as outras finalidades do sistema previdenciário – custeio do sistema de seguridade social (saúde, previdência e assistência social), que são impostas pela lei. Mas, do ponto de vista do investidor, a única coisa que interessa é o retorno do investimento que, no caso da previdência, é péssimo. E mesmo assim, pagando péssimos benefícios, o sistema previdenciário está quebrado.

3. A previdência é incapaz de garantir segurança financeira!

Isso só ressalta a necessidade de todos nós investirmos, com a finalidade de garantir uma vida financeira segura no futuro, já que a Previdência Social é incapaz de assegurar isso. E não é tão difícil: como o primeiro exemplo mostra, se economizarmos apenas o que pagamos de contribuição para a previdência, e soubermos investir, é perfeitamente possível garantir uma “aposentadoria” bastante tranquila.

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Comentários (12)

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  2. Blogs da ADVFN Brasil » Seja previdente: não conte com a previdência social | 29 de novembro de 2010
  3. Comentário sobre A previdência como (péssimo) investimento por Blogs da ADVFN Brasil » Seja previdente: não conte com a previdência social | Finance Planet | 30 de novembro de 2010
  1. ECN disse:

    Parabéns!!O seu blog é muito esclarecedor tanto em renda variável quanto em renda fixa. Mostra muito bem como uma metodologia simples torna racional o investimento de longo prazo.

  2. izjqitsg disse:

    jpemgP zabefymmpueg, [url =http://lvooragihuvd.com/]lvooragihuvd[/link], http://icvoooqknmus.com/

  3. Alex disse:

    Caramba

    Sua lógica está totalmetne invertida neste post.

    Pagando-se à Previdência Social, caso você adoeça por 3 anos neste período, além de não haver contribuição, pagamento, você ainda recebe este teto de aproximados R$ 3 mil reais.

    Se vc é mulher e tiver 3 filhos durante os 30 anos, vc ainda recebe salário maternidade 3x.

    Se vc sofre um acidente e fica inválido, vc não contribui mais, e passa a receber.

    Fazer a conta como se vc nunca fosse ter qualquer espécie de contratempo durante a sua vida inteira é de uma sandisse danada.

  4. Alex disse:

    Ah, desculpa pelo modo como postei acima.

    E valeu por expor suas idéias, que são, em regra, muito boas mesmo. Parabéns!!!

  5. Daniel disse:

    Além do ponto mencionado pelo Alex, que estar contando com infortúnios no meio do caminho, você não está mostrando bem a realidade pela inflação.

    Supondo que uma aplicação renda 10% ao mês, e a inflação seja em média oficial 6%, sobraria (aproximadamente) 4% ao mês. Considerando que uma inflação pode ser maior que a oifical, não sobraria muito mais que os R$ 140 mil.

    Com isto você também precisa considerar a possibilidade de seu dinheiro "desaparacer" no meio do caminho. Suponhamos que você seja casado e se separe, sua esposa ficaria com metade disto tudo.

    Mas apenas para contrariar tudo o que disse, esta é minha opção: fazer minha própria previdência.

  6. Gustavo disse:

    Caramba!
    Você fala em 10%aa de rendimento real,
    quando na verdade o juro real hoje é de 6%aa
    e tende a cair nas próximas décadas.
    Além disso, a maioria dos investimento tem IR de 15%,
    o que faz um título NTNB render apenas 0,35%am
    descontando taxa de adm, IR e inflacao.
    E voce ainda diz que com R$1,2milhão o cara vai tirar
    R$10mil por mês e deixar uma renda equivalente perpetua para seu filho…
    Não iluda seus leitores.
    Não me surpreenderei se bloquear meu comentário.

    • Fabio disse:

      Gustavo,

      Eu modero artigos apenas para evitar ofensas pessoais que poderiam trazer problemas legais para o blog. Não impeço nenhum dos leitores de discordar do meu ponto de vista, pois uma das premissas deste canal é a liberdade de expressão.

      Dito isto, passo a responder a seu argumento. Eu não disse em nenhum momento que estava utilizando a rentabilidade real de 10%. Pelo contrário, eu disse que meus cálculos não utilizavam a inflação e nem o imposto de renda devido: até em razão disso, sugeri que o investidor aplicasse a cada ano um pouco mais do que aplicou no ano anterior, calculando esse acréscimo a partir da inflação do período. Por outro lado, não é nenhum pouco improvável obter uma rentabilidade NOMINAL anual em torno de 10% ao ano: no tesouro direto mesmo, há vários títulos pagando mais do que isso. Em termos de rentabilidade REAL, já é mais complicado.

  7. Gustavo disse:

    Fabio, peço desculpas.
    Confundi o blog.
    Não há razão nenhuma para ter escrito a minha última linha para você.

  8. Itamar Sandoval disse:

    Muito esclarecedor seu post, vale reprise sempre. Mais ainda porque você não usou a expressão “Previdência Privada” como tantos falam. O que pode ser pior que a previdência “Oficial”. Ai sim é um investimento mais que perdido, pois no final (da vida) o saldo fica para o agente financeiro, nem a ilusão que seu investimento estaria financiando a saúde publica vc tem… É fria.

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