A previdência como (péssimo) investimento
A previdência social é um bom investimento? Imagine que você investe, todo mês, uns R$ 334,00, por 35 anos. No fim desse período, você teria economizado um total de R$ 140.280,00, sem contar qualquer valorização do investimento. Caso você tivesse conseguido uma rentabilidade mediana, de 10% ao ano, você teria conseguido acumular R$ 1.255.059,70. Parece bom, não é? É um valor mais do que suficiente para garantir uma rentabilidade de R$ 125.500,00 ao ano (ou R$ 10.458,00 por mês)! Claro, aqui não estamos descontando a inflação, mas se supusermos que o investimento será incrementado progressivamente para acompanhar as perdas da inflação, o cálculo do valor real será exatamente esse. Ou seja, em 35 anos, seria perfeitamente possível receber um valor que equivaleria, hoje, a um salário de quase R$ 11.000,00 mensalmente. E, se você tiver um filho, ele poderia ter essa renda perpétua enquanto viver, como herança. Ótimo, não é?
1. A previdência apresenta rentabilidade péssima no longo prazo
Mas, imagine um investimento diferente. Você investe, todo mês, os mesmos R$ 334,00, por 35 anos. No fim desse período, você obtém R$ 3.218,00 mensalmente. Bem pior do que a alternativa anterior, não é? Mas é o que a maioria dos brasileiros faz ao esperar que a Previdência Social lhes garanta o sossego financeiro e o padrão de vida que têm hoje. Utilizei, no exemplo acima, o teto de contribuição previdenciária (R$ 334,00) e o teto de benefício (R$ 3.218,00). Ah, e não se esqueça de que o montante que você contribuiu para o sistema previdenciário não pode ser herdado por seus filhos!
É importante perceber, ainda, que a rentabilidade de R$ 3.218,00 mensais pode ser obtida com um montante de R$ 386.160,00 – ou seja, ao longo de 35 anos, os R$ 140.280,00 investidos com os R$ 334,00 mensais que se pagou de contribuição previdenciária, teriam um crescimento total de apenas 275% – ou aproximadamente 3,8% ao ano. Péssimo investimento, não é? Apenas para efeito de comparação, na primeira hipótese, na qual se acumula R$ 1.255.059,70, a rentabilidade total é de 894%!
Note-se que, como utilizei nas contas o montante total acumulado para o cálculo da rentabilidade – e não a valorização a partir das parcelas investidas, o percentual alcançado é inferior aos 10% que o investimento teve de rentabilidade. De qualquer modo, a diferença de rentabilidade é enorme.
2. Mas lembre-se sempre de que a Previdência Social tem outras finalidades!
Aqui, estou tratando a Previdência Social a partir da perspectiva do investidor, sem levar em consideração as outras finalidades do sistema previdenciário – custeio do sistema de seguridade social (saúde, previdência e assistência social), que são impostas pela lei. Mas, do ponto de vista do investidor, a única coisa que interessa é o retorno do investimento que, no caso da previdência, é péssimo. E mesmo assim, pagando péssimos benefícios, o sistema previdenciário está quebrado.
3. A previdência é incapaz de garantir segurança financeira!
Isso só ressalta a necessidade de todos nós investirmos, com a finalidade de garantir uma vida financeira segura no futuro, já que a Previdência Social é incapaz de assegurar isso. E não é tão difícil: como o primeiro exemplo mostra, se economizarmos apenas o que pagamos de contribuição para a previdência, e soubermos investir, é perfeitamente possível garantir uma “aposentadoria” bastante tranquila.
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Parabéns!!O seu blog é muito esclarecedor tanto em renda variável quanto em renda fixa. Mostra muito bem como uma metodologia simples torna racional o investimento de longo prazo.
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Caramba
Sua lógica está totalmetne invertida neste post.
Pagando-se à Previdência Social, caso você adoeça por 3 anos neste período, além de não haver contribuição, pagamento, você ainda recebe este teto de aproximados R$ 3 mil reais.
Se vc é mulher e tiver 3 filhos durante os 30 anos, vc ainda recebe salário maternidade 3x.
Se vc sofre um acidente e fica inválido, vc não contribui mais, e passa a receber.
Fazer a conta como se vc nunca fosse ter qualquer espécie de contratempo durante a sua vida inteira é de uma sandisse danada.
Ah, desculpa pelo modo como postei acima.
E valeu por expor suas idéias, que são, em regra, muito boas mesmo. Parabéns!!!
Além do ponto mencionado pelo Alex, que estar contando com infortúnios no meio do caminho, você não está mostrando bem a realidade pela inflação.
Supondo que uma aplicação renda 10% ao mês, e a inflação seja em média oficial 6%, sobraria (aproximadamente) 4% ao mês. Considerando que uma inflação pode ser maior que a oifical, não sobraria muito mais que os R$ 140 mil.
Com isto você também precisa considerar a possibilidade de seu dinheiro "desaparacer" no meio do caminho. Suponhamos que você seja casado e se separe, sua esposa ficaria com metade disto tudo.
Mas apenas para contrariar tudo o que disse, esta é minha opção: fazer minha própria previdência.
Caramba!
Você fala em 10%aa de rendimento real,
quando na verdade o juro real hoje é de 6%aa
e tende a cair nas próximas décadas.
Além disso, a maioria dos investimento tem IR de 15%,
o que faz um título NTNB render apenas 0,35%am
descontando taxa de adm, IR e inflacao.
E voce ainda diz que com R$1,2milhão o cara vai tirar
R$10mil por mês e deixar uma renda equivalente perpetua para seu filho…
Não iluda seus leitores.
Não me surpreenderei se bloquear meu comentário.
Gustavo,
Eu modero artigos apenas para evitar ofensas pessoais que poderiam trazer problemas legais para o blog. Não impeço nenhum dos leitores de discordar do meu ponto de vista, pois uma das premissas deste canal é a liberdade de expressão.
Dito isto, passo a responder a seu argumento. Eu não disse em nenhum momento que estava utilizando a rentabilidade real de 10%. Pelo contrário, eu disse que meus cálculos não utilizavam a inflação e nem o imposto de renda devido: até em razão disso, sugeri que o investidor aplicasse a cada ano um pouco mais do que aplicou no ano anterior, calculando esse acréscimo a partir da inflação do período. Por outro lado, não é nenhum pouco improvável obter uma rentabilidade NOMINAL anual em torno de 10% ao ano: no tesouro direto mesmo, há vários títulos pagando mais do que isso. Em termos de rentabilidade REAL, já é mais complicado.
Fabio, peço desculpas.
Confundi o blog.
Não há razão nenhuma para ter escrito a minha última linha para você.
Muito esclarecedor seu post, vale reprise sempre. Mais ainda porque você não usou a expressão “Previdência Privada” como tantos falam. O que pode ser pior que a previdência “Oficial”. Ai sim é um investimento mais que perdido, pois no final (da vida) o saldo fica para o agente financeiro, nem a ilusão que seu investimento estaria financiando a saúde publica vc tem… É fria.