A importância da educação financeira

24 de agosto de 20093 comentários

Há cerca de um mês, lendo um jornal, reparei em uma notícia que muito me chamou a atenção: a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados havia aprovado a proposta de inclusão da disciplina “Educação financeira” nos currículos escolares de 5ª a 8ª série.

Só posso aplaudir a iniciativa de nossos representantes, senadores e deputados, que finalmente tomaram alguma atitude quanto a um grave problema das sociedades capitalistas contemporâneas: o alto grau de endividamento pessoal. A situação é tão grave que a economia do planeta esteve à beira do colapso (e ainda não está totalmente a salvo) por causa, além da irresponsabilidade de quem administra as finanças das maiores empresas do mundo, do alto endividamento dos cidadãos americanos.

Mas o problema do endividamento não é exclusivo dos nossos colegas do norte da América. Segundo dados recentes do Banco Central, o grau de endividamento das famílias brasileiras beira os 35% de sua renda anual. Ou seja, de cada 100 reais recebidos pelos brasileiros, 35 são destinados ao pagamento de dívidas. Se fossem dívidas boas, ou seja, dívidas destinadas ao crescimento do patrimônio (como financiamento de imóveis), esse índice de endividamente seria ao menos justificado. Infelizmente, acredito que não é esse o caso: boa parte desse endividamento é explicado pela falta de controle dos brasileiros com sua economia doméstica.

Por tudo isso, acredito que o projeto de lei que está em discussão no Congresso Nacional é realmente importante. É preciso ensinar aos cidadãos do futuro como organizar sua vida sem se endividar para satisfazer desejos de consumo frívolos e, principalmente, mostrar como não é tão difícil assim construir um patrimônio durável que possibilite não apenas uma velhice amparada, mas um legado patrimonial que permita à sua família, por várias gerações, ter tranquilidade financeira. O projeto de lei não é muito claro quanto ao conteúdo da disciplina, mas quero usar esse espaço para dar algumas sugestões.

A primeira delas, e mais importante, que pode ser usada inclusive na própria disciplina de matemática, é a seguinte: professores de matemática, ENSINEM juros compostos direito aos seus alunos! Eu lembro de ter visto juros compostos em duas aulas em toda a minha vida – uma aula no ensino fundamental, e outra no ensino médio – e só. E ninguém mostrou como aquele conceito matemático, tão fácil de ser aprendido, é um dos principais segredos que diferenciam uma vida financeira tranqüila de uma absolutamente caótica. Tenha-os a seu favor, e você pode ficar milionário; tenha-os contra você, e veja sua vida financeira e pessoal desabar. Ninguém me ensinou isso, no ensino fundamental ou no ensino médio: aprendi graças aos livros que me indicaram há alguns poucos anos. Quanto tempo poderia ter sido poupado se meus professores tivessem me sugerido esses livros há 15 anos!

Outros aspectos importantes que poderiam ser ensinados na disciplina são os seguintes: como organizar a vida financeira pessoal; entender o que é risco, no mercado financeiro; como investir em ações; como fazer dívidas boas, que permitirão a acumulação de capital ao longo do tempo; como investir em títulos do tesouro, pelo Tesouro Direto; como entender o balanço contábil de uma empresa, no que interessa para o investimento em ações. São apenas algumas sugestões a respeito do que eu penso ser importante que seja ensinado.

Pode parecer muito para crianças de 5ª a 8ª série, e eu acredito que seria melhor incluir a disciplina também no ensino médio, quando muitos desejos de consumo se tornam particularmente salientes, na adolescência (paiê, me dá um carro?). Mas não acho que exige tanto assim dos alunos: afinal, eles já aprendem nesse período matérias como química, física e biologia – disciplinas particularmente mais complexas do que o entendimento de um conteúdo que será útil para a vida de todos os alunos. Um ou outro prosseguirá no estudo de matemática, química, física e biologia avançados, no curso superior; mas TODOS precisarão ter educação financeira para ter uma vida estável financeiramente.

Também acho que a disciplina pode ser bastante útil para os pais. Filhos mais conscientes podem ter muito a ensinar a alguns pais esbanjadores que vemos por aí…

Apesar de toda a corrupção que aparece nos jornais, parabenizo nossos representantes no Congresso Nacional pela iniciativa. Espero que o projeto seja aprovado rapidamente e que a regulamentação dos conteúdos seja aprovada rapidamente, para que no máximo daqui a uns dois anos nossas crianças estejam habilitadas a aprender sobre educação financeira.

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Comentários (3)

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  1. gustavo disse:

    bem, considero a educação financeira até mais importante que o próprio salário do cidadão. Muito oportuno esse post. Trabalho num local onde as pessoas mais antigas ganham muito bem – justiça federal – e fico abismado com a qtd delas que não tem qualquer patromônio. Um colega de setor me disse a frase que não me esqueci e numca esquecerei: " Não interessa o quanto vc ganha, o mais importante é o quanto vc gasta."

  2. gustavo disse:

    onde se lê no post anterior a palavra "numca", leia-se nunca, obviamente.valeu e parabéns pelos blog.

  3. jyuzsprrxh disse:

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