Estabilidade na carteira x Segurança contra risco
Uma distinção que considero importante é a que põe em lados distintos segurança contra risco e estabilidade na carteira. É importante diferenciar os dois conceitos, porque o senso comum é o de que as duas coisas se confundem. Segundo a concepção padrão, quanto mais estável o investimento, menor o risco dele. Mas acredito que essa não é uma concepção adequada.
Estabilidade seria a manutenção/crescimento mais constante do capital, com menor probabilidade de sua diminuição brusca no curto prazo. A idéia é proteger uma parte substantiva do capital para eventuais emergências. Mas essa estratégia não é exatamente segurança contra risco, pois é sempre possível que o governo quebre e não pague os juros combinados ou resolva, pior ainda, confiscar o capital investido – embora esse risco seja mais atenuado por conta da Constituição (embora esta também possa ser modificada!). O risco de perder esse capital sempre existe, mas, pela probabilidade – que considero baixa – de que isso aconteça, a estabilidade acaba compensando o risco, se o que se procura é a preservação, com certa previsibilidade, do capital investido.
Já segurança contra risco – acredito que sigo Buffett nesse ponto – deriva de saber o que se está fazendo. É fazer o trabalho de casa, ler os relatórios, balanços, comprar ações a preços compensadores (e não a preços absurdos), não fazer bobagem. Quem começou a investir em ações em outubro de 2008 não sentiu qualquer efeito da crise em sua carteira de ações e, melhor, não correu praticamente risco algum. Acredito que uma das principais ferramentas para assegurar proteção contra risco é a formação de um preço médio baixo em ações de empresas excelentes.
.
Arquivado em: Ações • Educação financeira • Renda fixa




