Investir em fundos de ações ou comprar ações diretamente?
Uma dúvida que às vezes paira sobre a cabeça dos investidores iniciantes que decidem investir em ações é a seguinte: devo investir em fundos de ações ou comprar ações diretamente? A resposta a essa pergunta não é fácil, e depende do perfil de cada investidor. Entendo que alguns dos fatores que o pequeno investidor deve levar em consideração antes de decidir a respeito dessa questão são os seguintes:
1 – O investidor tem conhecimento suficiente para investir diretamente em ações?
Esse talvez seja o principal fator que o investidor deve ter em mente antes de decidir investir em ações. Ter conhecimento significa estudar sobre o mercado de ações, investimentos em geral, ler livros especializados, conhecer a empresa na qual pretende aplicar.
Sem isso, é melhor continuar a investir em renda fixa (ou títulos do tesouro nacional) ou, caso se pretenda investir em ações com a finalidade de diversificação da carteira de investimentos, aplicar um percentual em um fundo de investimento. Nesse caso, dê preferência a fundos indexados, que seguem algum índice (Ibovespa, por exemplo); outra alternativa é investir no PIBB, cujas cotas são calculadas a partir do índice IBrX-50. Basta comprar, como se fosse uma ação, cujo código é PIBB11.
Uma vantagem dos fundos de ações é a de que o investidor não precisa decidir que ações irá comprar. Se o fundo for indexado, à medida que a composição do índice for alterada (o que ocorre periodicamente), a composição do fundo também é alterada, sem custos adicionais para o investidor. Além disso, o investidor adquire várias ações simultaneamente, o que ajuda a diversificar os seus investimentos.
2 – A quantidade de dinheiro disponível para o investimento
Outro fator que deve influenciar a decisão do investidor é a quantidade de dinheiro disponível. Com menos dinheiro, normalmente é mais vantajoso investir em um fundo de ações do que em ações diretamente, seja em razão do alto custo com comissões de corretagem em investimentos menores (em ações), seja em razão da menor possibilidade de diversificação da carteira de ações. Com menos dinheiro, é mais difícil comprar um número maior de ações. Assim, talvez seja o caso de acumular dinheiro em fundos de investimento em ações, investindo um pouco a cada mês, e após a formação de um certo capital, partir para o investimento direto em ações.
3 – A taxa de administração dos fundos de investimento
O pequeno investidor deve se informar sobre as taxas de administração cobradas pela instituição financeira para o investimento em fundos de investimento. Há fundos que cobram 4% ou mais, o que significa que, a cada ano, 4% do capital investido será descontado apenas para pagar a administração do fundo. Se o fundo rendeu 12%, o rendimento real (sem descontar inflação!) é de apenas 8%. Procure fundos que cobrem no máximo 2%.
No caso das ações, esse custo não existe – mas há o custo com a corretagem e os emolumentos (valor baixo em relação ao total investido, mas é um percentual fixo). Portanto, procure corretoras seguras que cobrem o mínimo possível de corretagem.
4 – O imposto de renda
A alíquota de IR dos fundos de investimento em ações é a mesma para o investimento em ações: 15% do rendimento obtido. Todavia, no caso das ações, há a isenção na hipótese em que as vendas do investidor pessoa física sejam iguais ou inferiores a R$ 20.000,00 – em outras palavras, quem vende até R$ 20.000,00 em fundos de ações tem que pagar 15% sobre o lucro auferido, ao passo que alguém que vende ações nesse valor não paga um único centavo. Nesse caso, é mais vantajoso investir em ações diretamente.
PS: a exceção à regra é a hipótese das transações de day trade, nas quais o investidor vende ações no mesmo dia que as compra – nessa hipótese, não há qualquer isenção.
5 – A composição da carteira
Outro fator que o investidor deve levar em consideração é a composição da carteira do fundo de investimento. Às vezes, os fundos de investimento têm, em suas carteiras, ações de péssimas empresas, ou ações de empresas muito caras – hipóteses em que o prejuízo é praticamente certo. Isso pode representar um peso bastante alto na carteira, que pode obter desempenho ruim por ter que “carregar” ações que dão prejuízo.
No caso do investimento direto em ações, o investidor seleciona as empresas que pretende adquirir. Se o investidor for diligente, isso pode significar uma boa vantagem no longo prazo – mas isso depende de preparação e bastante estudo!
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Acredito que esses são alguns dos fatores a serem levados em consideração na hora de o pequeno investidor decidir optar por uma via ou outra. Desejo a todos sucesso nos investimentos!
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Olá gostaria de fazer uma pergunta, com 500 reais diponiveis todo mês para investir, com prazo de investimento de 60 meses, investir diretamente em ações seria um bom investimento?
Talisson,
Acho 60 meses um prazo curto para investir em ações. Eu prefiro prazos superiores a esse – de preferência, até mais do que 5 anos. Houve tempos no passado brasileiro em que foram necessários mais do que 5 anos para recuperar o investimento em ações, depois de uma crise. Dito isso, se você realmente deseja investir em ações talvez seja o caso de você investir por meio de um fundo, já que a quantia é relativamente baixa, ou então optar por investir em uma corretora que cobre uma taxa de corretagem mais baixa (existem corretoras que cobram um percentual do investimento).
Com certeza investir por conta própria se você tem algum conhecimento, e pode até mesmo bater o mercado … Para quem não tem nenhum conhecimento, nenhum mesmo e quer investir, talvez um fundo de índice que chegue perto do ibovespa, pode ser uma boa… enquanto isso vá estudando até adquirir um mínimo de conhecimento e aí faça você mesmo.
abraços,
Comprando empresas sem dívidas, com bom ROE, com boas margens de lucro líquida , como faz Buffet acredito ser possível sim .Sem contar as empresas boas pagadoras de dividendos